terça-feira, 15 de agosto de 2017

Adriano Nunes: "Pãe & Mai"

"PÃE & MAI"


PAIPODESERMÃE
PAIPODESERMÃM
PAIPODESERMMÃ
PAIPODESERMÃE
PAIPODESEMÃEP
PAIPODESMÃEPO
PAIPODEMÃEPOD
PAIPODMÃEPODE
PAIPOMÃEPODES
PAIPMÃEPODESE
PAIMÃEPODESER
PAMÃEPODESERP
PMÃEPODESERPA
MÃEPODESERPAI

domingo, 13 de agosto de 2017

Adriano Nunes: "Amor"

"Amor"


Amor, somente o teu.
Explico: a vida inteira,
Os passeios na feira,
A astúcia de Proteu.

A tara que bateu.
Aquela dor primeira.
A mesma brincadeira...
Tudo para ser teu.

Amor? Quem te verteu
Em foz, dessa maneira?
Explica-me: a que beira
O sonho de ser teu?

Adriano Nunes: "O que cessa"

"O que cessa"


O que quer
O poema?
Com que esquema
É, não é?

Com que ética
Tudo mede?
Obedece
A que estética?

Feito pena
Por que é leve?
Por que à verve
Dá-se apenas?

O que almeja
Da incerteza?
Que se veja
A beleza?

O poema
Diz-me: pressa
Pra quê? Tema
O que cessa!

Adriano Nunes: "Sem saída" - para a minha mãe

"Sem saída" - para a minha mãe


Às vezes, tudo dói.
Os astros no alto infindo,
Os deuses além do que me peso e sinto,
O que há entre os mais íntimos.
Como agora.
Como dor
Que não soçobra.
Como dor
Que, por tanto doer,
Apavora.
Como o desejo que explode
O desejo de norte,
A vida sem vida lá fora.
Como a vida sem saída.
Que saída?
Aquilo que o poema esconde
E escapa por onde
Não dá para saber.
Às vezes, tudo brilha

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Adriano Nunes: "Ode à coriza"

"Ode à coriza"


Entre espirros e prurido nasal,
Outro decassílabo vem surgindo.
Parece que tudo é líquido e lindo,
Mas certo é que se faz um carnaval:

Mucosa congesta e muco caindo...
Contra a minha vontade, água e sal
Despencam lentamente natural,
Lacrimejam meus olhos, reluzindo.

Arre! De anti-histamínico preciso!
Até, quem sabe, de um antigripal...
Cada poema tem seu ritual!

Assim, entre espirros, et cetera e tal,
Vou construindo versos e, indeciso,
Em meu ser afogo-me, qual Narciso.

Adriano Nunes: "Poética"

"Poética"


Verter-te
Em verso
Pra ter-te
Pra sempre,

Pra ter,
À verve
Do ser,
Teu sexo

Complexo e,
Perplexo,
Querer-te
Prazer.

Adriano Nunes: "Entre o ver e a verve"

"Entre o ver e a verve"


Imerso no rubro quadro 
O azul quase intacto
Quase vermelho quase
Azul por inteiro e

Entre o ver e a verve
O polvo se põe e se ergue
Quase se move mesmo
Mesclado ao mar vermelho

Quase de si escapa
Tentáculos e massa encefálica
Tem vermelho no meio
Do azul como recheio

Do ver que mais salta?
Água que se reparte?
Algas à parte?
Quase nada